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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Conferência Internacional #Each1Bring1

‪#‎Each1Bring1‬


Realizado no dia 13 de Abril nas instalações do Comité Olímpico de Portugal a Conferência internacional de lançamento da campanha mundial de promoção do papel e da participação da Mulher no Desporto, promovida pela United World Wrestling e com a parceria da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e do Comité Olímpico de Portugal.

Painel da Conferência Internacional

Os oradores:
- José Manuel Constantino - Presidente do Comité Olímpico de Portugal
- Carlos Pereira - Vogal do CD do Instituto Português do Desporto e Juventude, IP
- Pedro Silva - Presidente da F. P. Lutas Amadoras
- Lúcás Ó'Ceallacháin - Diretor do Desenvolvimento da United World Wrestling
- Lise Legrand - Vice-Presidente da Federação Francesa de Luta, Membro da Comissão Mulheres e Desporto da United World Wrestling, Medalhada Olímpica
- Carla Morais - Vice-Presidente da F. P. Lutas Amadoras
- Luís Fontes - Selecionador Nacional da F. P. Lutas Amadoras, Regional Development Officer - Europa da United World Wrestling



Discurso de Abertura da Conferência Internacional
A Mulher no Desporto – Luta Olímpica
Campanha #Each1Bring1
do
Exmo. Senhor Presidente da
Federação Portuguesa de Lutas Amadoras
Dr. Pedro Silva


"Exmas. Senhoras e Exmos. Senhores

Caros Amigos,

Estamos hoje aqui reunidos nesta cerimónia para assinalar o lançar da primeira pedra de uma campanha mundial de promoção do desporto, do nosso desporto, no feminino. E se queremos que esta cerimónia seja tão bem sucedida e tenha tanto impacto quanto possível, tal sucede não porque esta cerimónia seja um fim em si mesmo, mas sim porque a mesma marca o arranque de um conjunto de ações e iniciativas que pretendem promover e potenciar a participação das mulheres no âmbito da modalidade que temos a pretensão de chamar de nossa. Mais do que o lançar a primeira pedra, o que todos ambicionamos e queremos ferverosamente é ver a obra de pé.
Dr. Pedro Silva no Discurso de Abertura. Foto: FPLA

E essa obra, a promoção do papel e da participação da Mulher no Desporto, que nasce aqui hoje, se prolonga no tempo ao longo deste ano e se prolonga no espaço em todo o território nacional, mas também a nível mundial sob os auspícios da United World Wrestling, tem como alicerces esta campanha.

E porque nenhuma obra se faz às costas de uma só pessoa, importa aqui referir e cabe-nos aqui prestar pública homenagem e os mais profundos e sinceros agradecimentos a todos aqueles, atletas, treinadores, árbitros, dirigentes, família da Luta, que dando o melhor das suas capacidades e competências, ao longo de anos e anos dedicaram a sua vida ao serviço da modalidade e neste caso em concreto da Luta Feminina e na mesma medida da promoção e participação da Mulher no desporto. Mas queremos também aqui referir e sublinhar a importância de todos aqueles que no futuro saberão levar o testemunho adiante.

De entre estes importa destacar alguns exemplos e neles homenagear todos os outros.

A primeira palavra de agradecimento e reconhecimento vai obviamente para o recentemente falecido Presidente Honorário da Federação, Norberto Fernandes Rodrigues, o meu Presidente ao longo de 12 anos. Foi para mim um prazer, uma honra e um privilégio servir a modalidade como Diretor Técnico Nacional sob a sua Presidência. Norberto Rodrigues dedicou a maior parte da sua vida ao serviço da modalidade. Começou na década de 50 do século XX como atleta e daí até ao seu falecimento desempenhou as funções de treinador, árbitro e dirigente, tendo sido durante 16 anos o Presidente da FPLA.

Durante o seu mandato como Presidente foi um dos principais impulsionadores da Luta Feminina em Portugal e também por isso foi distinguido com a medalha de Ouro da Federação Internacional e com a Medalha de Bons Serviços Desportivos pelo Governo de Portugal. Onde quer que esteja, Senhor Presidente, em meu nome e em nome da modalidade, muito obrigado por tudo!

Peço que se juntem a mim, neste momento, na realização de um minuto de silêncio em memória de Norberto Fernandes Rodrigues.

...

Muito obrigado.

Um agradecimento também a Sua Excelência o Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto cessante, Dr. João Meneses, pela sua adesão desde o primeiro momento a esta iniciativa.
Tem este governo e quem tiver a responsabilidade de desempenhar o cargo de Secretário de Estado do Desporto, um desafio enorme pela frente. O desafio de devolver ao desporto, e ao desporto federado em concreto, porque sem desporto federado todo o outro desporto perde relevância, porque lhe é subtraída a coluna vertebral da praxis desportiva, um nível de dignidade e de relevância politica e social compatível com a importância que este tem de um modo transversal na nossa sociedade, nos planos social, económico, diplomático, cultural, emocional.

O que o desporto nacional precisa não é de mais estudos produzidos por outsourcers de fora do Estado, mas mais que isso de fora do desporto, que cheguem a uma putativa conclusão que a falta de investimento financeiro público não é um problema limitativo e de que é possível sempre fazer mais com menos. O que é necessário de uma vez por todas é assumir que com os níveis de financiamento que o desporto federado nacional tem, não é produtivo discutir mais nada. Fazer mais com menos tem sido a história e a sina do desporto nacional. Importa mudar o paradigma e deixarmos de apoiar com os olhos no passado, mas sim passarmos a apoiar com os olhos no futuro. Apostar no potencial e não utilizar a história como um instrumento que só serve para cortar. Atrevermo-nos a conseguir, finalmente, criar as condições para atrair na sociedade civil quem através de parcerias ou do mecenato possa somar a este propósito. Quero acreditar que estão reunidas as condições para se dar este passo.

Tem sido debatido na sociedade civil e no meio desportivo se a inclusão da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto no Ministério da Educação representa uma despromoção, uma ameaça, uma oportunidade, ou outra coisa ainda. Apenas o tempo se encarregará de provar a realidade das coisas. O tempo e a ação das mulheres e dos homens a este propósito. Mas para já esta integração representa uma tremenda oportunidade pelo menos ao nível do Desporto Escolar.

E neste contexto importa relembrar que esta é uma modalidade que integra os programas da disciplina de Educação Física do ensino básico e secundário, fazendo parte do programa do Desporto Escolar. De realçar que no âmbito desta campanha estão já previstas ações concretas com núcleos ao nível do Desporto Escolar.

Importa também aqui sublinhar, nesta conferência que fala também de paridade, inclusão e promoção, de que esta modalidade, a nossa modalidade, a Luta Olímpica, é de todos e para todos; de senhoras de 48 kg a homens de 130; de crianças de 6 anos a jovens com mais de 70; de quem ambiciona uma medalha olímpica, mas também de quem procura melhorar a sua condição física ou as suas capacidades de defesa pessoal; de quem tem prazer e gosto pela competição, mas também de quem pretende apenas evoluir nas suas habilidades e conhecimentos através das graduações; de quem é portador de deficiência e de quem não o é; de quem luta contra a exclusão social e de quem é privilegiado; de quem nasceu e cresceu nas disciplinas clássicas e olímpicas, mas também de quem nos procura pelas novas e populares disciplinas associadas.

Uma palavra também de agradecimento muito especial ao Comité Olímpico de Portugal, na pessoa do seu Presidente, Dr. José Manuel Constantino, por ter acolhido de braços abertos, naquela que é a casa do Olimpismo, esta conferência internacional.

Não podemos deixar de passar a mensagem de que somos uma modalidade olímpica, desde a Antiguidade Clássica, até aos Jogos Olímpicos da Era Moderna.

Não nos podemos esquecer de que somos uma modalidade e uma federação com uma tradição em Portugal e no Mundo com mais de um século, tendo sido António Pereira e Joaquim Vital ilustres integrantes da 1.ª Missão Olímpica de Portugal, aos Jogos de Estocolmo em 1912, e de ser a Federação Portuguesa de Lutas Amadoras, a 9.ª federação mais antiga do nosso país.

A este propósito ainda, não nos podemos esquecer de que a Luta Olímpica, com 72 medalhas, é a terceira modalidade que mais medalhas atribui no programa dos Jogos Olímpicos de Verão, sendo uma modalidade instrumental no sucesso da generalidade das nações mais consagradas no plano olímpico. Neste âmbito importa referir dois factos de enorme relevo. O primeiro é o papel que a United World Wrestling teve no aumento da participação feminina, havendo agora uma paridade entre os 3 estilos e estamos mais próximos de uma paridade entre os géneros. O segundo é o facto de que obviamente ambicionamos estar presentes nos tapetes olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Ambicionamos mais do que estar presentes. Ambicionamos obter uma prestação de relevo, que orgulhe a modalidade e o país. Estamos conscientes das dificuldades deste objetivo. Tudo estamos a fazer, no limite das nossas capacidades, para lutar e alcançar este objetivo. Neste momento estão em trânsito para o primeiro Torneio de Qualificação Olímpica, os nossos campeões Liliana Santos, Vânia Guerreiro e Hugo Passos. A todos eles expressamos votos da maior fortuna e manifestamos a nossa maior confiança no seu desempenho.

Por último uma palavra muito especial de agradecimento à federação internacional, a United World Wrestling e ao seu Presidente e membro do Comité Olímpico Internacional, Nenad Lalovic. Estamos profundamente gratos e extremamente honrados pela confiança depositada para recebermos, como representantes do continente europeu, a responsabilidade de acolhermos o pontapé de saída desta campanha.

A United World Wrestling, enquanto entidade máxima da modalidade à escala global foi posta à prova com os acontecimentos de 12 de fevereiro de 2013, que colocaram em causa o nosso futuro enquanto desporto olímpico. Três anos volvidos e sob a liderança de Nenad Lalovic, a nossa federação internacional e a família da Luta Olímpica no Mundo souberam unir esforços e transformar o futuro, o nosso futuro enquanto desporto.

Portugal soube estar na vanguarda dessa mudança, não obstante sermos um país pequeno e periférico, sem grande tradição ou cultura desportiva, onde não existe claramente ao longo de mais de quatro décadas de democracia uma verdadeira valorização política ou social do desporto. A FPLA não obstante os seus parcos recursos, subfinanciamento crónico e estruturas com recursos esforçados muito para lá do limite, soube sempre e porque somos lutadores, lutar com as armas que tem ao seu dispor e com a convicção de que é possível fazer história.

Fazendo uso da nossa inteligência, mas também da nossa capacidade de adaptação, da nossa resiliência, mas também da nossa imaginação, da nossa garra, do nosso querer, mas também da nossa capacidade de conseguirmos até ao último momento acreditar que é possível conseguir uma solução, da diplomacia que marca a nossa cultura, mas também da nossa determinação:

• Conseguimos ao longo dos últimos anos conquistar mais de centena e meia de medalhas em torneios da federação internacional, mesmo sem termos a possibilidade de organizarmos eventos internacionais em solo nacional, em virtude dos espartilhos legais criados;

• Destas medalhas destacamos as 14 conquistadas em Campeonatos do Mediterrâneo e as 5 finais disputadas em Campeonatos da Europa;

• Conseguimos ao longo dos últimos anos ser um dos dois primeiros países do Mundo, ainda antes da própria federação internacional o fazer, a desenvolver um sistema de graduações que permite melhorar a prática de todos os agentes da modalidade, atletas, treinadores, árbitros, dirigentes;

• Conseguimos ao longo dos últimos anos que um português seja Secretário Geral do Comité do Mediterrâneo de Lutas Associadas, uma organização que junta 25 países de 3 continentes;

• É também português o Regional Development Officer da federação internacional para a Europa, o nosso Selecionador Nacional, Prof. Luís Fontes;

• Conseguimos ao longo dos últimos anos integrar pela primeira vez portugueses em Comissões da Federação Internacional e do Comité do Mediterrâneo de Lutas Associadas.

E é para nós um motivo de genuíno orgulho e profunda satisfação e consequentemente, muito importante referir aqui que muitas destas conquistas foram feitas no feminino.

Os Órgãos Sociais a que tenho o prazer, a honra, o privilégio e acima de tudo a responsabilidade de presidir e servir, têm pela primeira vez mulheres em 3 dos seus órgãos. Têm pela primeira vez uma mulher a presidir a um órgão. E têm pela primeira vez uma mulher na Direção como Vice-Presidente.
Porque o papel da Mulher no Desporto e no nosso caso em concreto, não se esgota em cima do tapete, é nossa absoluta convicção de que teremos mais e melhor desporto, mais e melhor Luta, se tivermos mais mulheres envolvidas nas várias dimensões e funções que o fenómeno desportivo engloba. Só assim deixaremos de ter um desporto de homens, para homens e dirigido por homens e sim um desporto que verdadeiramente promova e potencie ainda mais uma sociedade mais igual, mais justa, mais ambiciosa, mais capaz, mais saudável e onde o desporto seja de uma vez por todas valorizado politica e socialmente.

Temos muito orgulho no nosso passado como modalidade, e ainda mais confiança no nosso futuro. E estamos aqui hoje também para olhar para o futuro.

Para que a nossa ambição dê frutos, para que a nossa missão seja levada a bom porto e para que a nossa visão se cumpra, todos juntos, teremos que ser capazes de potenciar as nossas forças, teremos que ser capazes de continuar a contornar as limitações impostas pelas nossas debilidades, teremos que ser capazes de agarrar as oportunidades que soubermos construir e por último, teremos que ser capazes de ultrapassar as ameaças ao desenvolvimento e crescimento da Luta Olímpica em Portugal.
É nossa firme convicção de que esta campanha, que hoje aqui vê a luz do dia, com o apoio de todos, com o empenho de todos e com a participação de todos, será mais um instrumento muito útil no processo de transformação da Luta Olímpica nacional, até ao nível de crescimento e desenvolvimento que todos desejamos. Cumpre-nos agora passar das palavras aos atos, do papel para os tapetes. Contamos com o apoio e contributo de todos para cumprirmos este desígnio.

A Luta continua! Literalmente.

Bem hajam!"

Fonte: Facebook FPLA
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