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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Opiniões - Luta Olímpica em Portugal

Segundo a opinião de alguns especialistas associados a actividades no âmbito do desporto organizado e gerido por sistemas federados, quer seja nas actividades amadoras como nas profissionais, são sempre as regras, os regulamentos, os métodos, os meios, as estratégias e o bom senso, que decidem o presente e o futuro de uma modalidade mas acima de tudo, afirmam eles, é determinante, ter as pessoas certas nos lugares certos.
Os mesmos especialistas referem ainda ser fundamental que as pessoas ditas responsáveis, atribuam uma importância acrescida à comunicação e ao trabalho de equipa, aceitando sugestões e opiniões, mostrando-se flexíveis em relação às suas decisões, em função da opinião de pessoas experientes e que se empenham no desenvolvimento da modalidade. Os mesmos especialistas opinam também, que o eventual desenvolvimento de uma modalidade não se consegue só através de qualidades especiais, mas sobretudo através de um trabalho de constância, de persistência, de métodos, de vocação e muita dedicação à causa.
Salientam ainda, que o desenvolvimento e o progresso, significam competência e, passa pela capacidade do diálogo e da tolerância, da humildade e nunca pela arrogância, por rivalidades ou confrontos mesquinhos, muitas vezes geradores de conflitos inúteis, que põem em causa o funcionamento das instituições e o próprio desenvolvimento da modalidade. Caso se verifique todo este conjunto de situações, pode-se acreditar num desenvolvimento saudável de uma modalidade, caso contrário, o declínio é inevitável. Pretende-se então, uma análise global das condições de desenvolvimento da Luta de forma a procurar melhorar o desempenho dos nossos atletas. O conteúdo deste documento resulta, de uma reflexão acerca do desenvolvimento de uma modalidade que actualmente se apresenta numa situação considerada por nós, crítica.
Esta reflexão poderá ser reconhecida por alguns elementos associados à modalidade, ainda que outros não partilhem da mesma capacidade reflexiva que, em primeira análise resulta da experiência pessoal de cada um. De seguida apresentam-se algumas propostas e considerações que julgamos ser benéficas para a modalidade.


Regulamentos de Luta

As Lutas tradicionais praticadas em todo o “mundo” são sempre objecto de regulamentos específicos, elaborados de acordo com as condições dos países e dos continentes onde são praticados. Muitas vezes modificados, e sempre modificáveis no sentido de motivar e tornar mais competitivos os respectivos eventos desportivos, os regulamentos devem ser conhecidos por todos os lutadores, treinadores, árbitros e dirigentes a fim de permitir aos praticantes exercerem uma “Luta Total e Universal”, com honestidade e “Fair Play”, para o prazer e satisfação de todos os intervenientes, nomeadamente os espectadores, mas também com o objectivo de captação de novos adeptos para a prática da modalidade. O mais importante não é as vitórias e os resultados mas sim a possibilidade de ver e de sentir que todos participam com alegria e paixão e não por dever ou obrigação. O regulamento da F.I.L.A tem por missão principal, regulamentar os Torneios Olímpicos, Campeonatos do Mundo e da Europa e, todos os eventos internacionais organizados sob a égide daquela entidade. Assim sendo, compreende-se que o citado regulamento pode ou não, ser aplicado pelas Federações Nacionais, na medida em que as estruturas, as condições, os meios humanos, a logística, assim como a quantidade e a qualidade dos praticantes difere de país para país, sendo por vezes, substancialmente superior. Será então, uma falsa questão tentarem fazer-nos crer que em Portugal é obrigatório a aplicação de tal regulamento. Considerando a nossa frágil estrutura participativa e competitiva, urge que seja estudada uma regulamentação que permita o aumento quantitativo e qualitativo das nossas competições. Tal como noutros países, também nós devemos fazer adaptações às condições específicas do nosso país. As regras da F.I.L.A têm sido em parte, um obstáculo ao desenvolvimento da nossa modalidade, especialmente ao nível dos escalões de formação que possuem regulamentos demasiado complexos. Neste sentido, se tecem algumas considerações, e se apresentam as propostas que se entendem poder ajudar a LUTA a sair do impasse em que se encontra.


Calendário de Actividades
O actual calendário de actividades apresenta as seguintes particularidades:
1 – As actividades terminam normalmente a 15 de Dezembro de cada época e recomeçam depois de 25 de Janeiro, o que leva a um período de 45 dias sem competições;

2 – Temos depois de 25 de Janeiro, actividades que se prolongam até à primeira semana de Junho, o que equivale a 4 meses;

3 – Desde a primeira semana de Junho até 20 de Outubro, não se realizam actividades de competição, com excepção das internacionais. Este período tem uma duração aproximadamente de 4 meses;

4 – Tomando a data de 20 de Outubro, como o retomar das actividades até meio de Dezembro, são mais 54 dias de actividades;

5 – Somando os respectivos períodos de cada situação, chegamos à seguinte conclusão:
• Tempo com actividades – aproximadamente 6 meses
• Tempo sem actividades – aproximadamente 6 meses

6 – Perante esta preocupante situação e, considerando as ambições de Federação em termos da Alta Competição, somos da opinião, que, deve ser feita uma análise muito profunda, no sentido, de se procurar melhorar a planificação do calendário.

7 – Um calendário que assenta a sua planificação na base do Calendário Escolar, não preenche as exigências, nem da competição Interna, e muito menos promove e motiva o longo caminho a percorrer para a ascensão à Alta Competição.

8 – Se o calendário já não era desde algum tempo a esta parte muito competitivo, menos se encontra, e tornou-se praticamente num calendário participativo, conforme mais adiante se verá.

Assim sendo, e sem se considerar a importante vertente da Alta Competição (Campeonatos Europa, Campeonatos Mundo e Jogos Olímpicos), a actual planificação tem uma determinante influência nos resultados das actividades dos clubes. Terminado o 1º ciclo de actividades de competição em 7 de Junho de 2008, esta paragem leva a uma quase total desmobilização dos praticantes e respectivos treinadores, na medida em que, deixam de existir mais objectivos, (a não ser para os lutadores seleccionados para as selecções nacionais) só recomeçando as actividades a meio de Setembro. Partindo do principio que se treina três vezes por semana nos clubes, o número de unidades de treino chegará eventualmente, e com muito boa vontade às 100 unidades, entre Janeiro e Dezembro, quando no mínimo devem ser entre as 150 a 170 unidades.


Participação em eventos
(Escalões de Competição masculinos)
Cadetes
2004 – Apenas 13 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 12 eventos
2005 – Apenas 7 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 10 eventos
2006 – Apenas 8 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 10 eventosOs restantes limitaram-se a participar!
Juniores
2004 – Apenas 7 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 11 eventos
2005 – Apenas 3 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 10 eventos
2006 – Apenas 9 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 11 eventos
A maioria dos atletas apenas marcou presença!
Seniores
2004 – Apenas 3 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 10 eventos
2005 – Apenas 3 lutadores estiveram em 8 ou mais competições num total de 9 eventos
2006 – Apenas 7 lutadores estiveram em 9 ou mais competições num total de 10 eventos


Perante as situações que a seguir se apresentam:
 Calendário de seis meses;
 Largos períodos sem actividades;
 Poucas unidades de treino agravadas por alguma ausência de lutadores nos treinos dos clubes;
 A baixa taxa de participação nos Eventos, assim como outras inesperadas situações;
Verifica-se que o nível competitivo é de baixa qualidade, para não se dizer …PAUPÉRRIMO!

Ranking Nacional
Entendemos que qualquer prémio seja de mérito ou de qualidade, só poderá ser atribuído com rigor a atletas que vençam as dificuldades impostas pelas competições com um elevado número de resultados significativos obtidos ao longo de um determinado percurso.
O mérito não se deve comprar, nem se deve oferecer…CONQUISTA-SE!

Actualmente, tanto é premiado o que ganha como o que perde, os que têm uma prestação activa e resultados obtidos com esforço, como aqueles que, durante uma época têm prestações mínimas ou pouco significativas. A FPLA (Federação Portuguesa Lutas Amadoras) deixou de prestar atenção à qualidade e banalizou um protocolo que deixou de ter dignidade e de marcar a diferença.
Desde 2001, os novos critérios de atribuição de prémios, vêm prejudicando alguns lutadores como se pode constatar com as nomeações de 2006.
A utilização de critérios rigorosos deverá sempre premiar os que ganham e que fazem competição e não aqueles que perdem ou apenas marcam presença.
Façamos então a comparação entre os atletas que se destacaram e outros…

Cadetes:
Bruno Nogueira – 10 presenças em eventos (cerca de 40 combates). Conquistou 2 títulos regionais, 2 nacionais e 6 primeiros lugares em torneios. Eleito Melhor Atleta com mérito.
Ana Pereira – 9 presença em eventos (4 combates). Não conquistou nenhum título, 2 primeiros lugares em torneios, não tendo competidores nos restantes 7. Eleita Melhor Atleta sem mérito.
Juniores:
Manuel Almeida – 11 presença em eventos (40 combates). Conquisto 1 título regional, 2 nacionais e 4 primeiros lugares em torneios.Eleito Melhor Atleta com mérito.
Liliana Santos – 9 presenças em eventos (8 combates). Conquistou 1 título nacional e 2 primeiros lugares em torneios, não tendo competidores nos restantes 5. Eleita Melhor Atleta com algum mérito.
Seniores:
Mário Mascarenhas – 10 presenças em eventos (20/23 combates). Conquistou 1 título regional, 3º no Nacional de Greco-romana e 2º no Nacional de Livre Olímpica, não tendo ganho nenhuma categoria em torneios, onde não teve competidores em 3. Eleito Melhor Atleta sem mérito.
Hélder Vicente – 9 presenças em eventos (16/18 combates). Conquistou 2 títulos regionais, 1 título nacional e 3 primeiros lugares em torneios e 1º lugar no Torneio Internacional do Montijo. Este lutador venceu sempre os combates disputados com o lutador galardoado. Entendemos por isso, que este lutador deveria ter sido premiado, pois perante os resultados obtidos pelos 2 lutadores não existe qualquer dúvida sobre quem foi o que apresentou uma melhor prestação.

Não são os lutadores que estão em causa, mas sim a forma como se estipulam e utilizam os critérios, valorizando os que apresentaram fracas prestações e desvalorizando/desmotivando os atletas que se empenham verdadeiramente.Desta forma, desvirtua-se a verdade desportiva, evidenciando-se uma clara falta de Fair-play, transmitindo-se aos lutadores a ideia de que não é necessário competir, basta participar!


Campeonato Nacional Grego – Romana e Luta Feminina(em Braga)
Desde alguns anos a esta parte que o evento supracitado vem sendo organizado na cidade de Braga, no sentido de tentar reactivar alguns dos clubes ali existentes. No entanto, após quatro épocas consecutivas, não se verificou qualquer evolução em termos de crescimento de clubes e respectivos praticantes de Braga:

Em 2004, participaram no C.N. 8 lutadores.
Em 2005, participaram no C.N. 8 lutadores.
Em 2006, participaram no C.N. 7 lutadores.
Em 2007, participaram no C.N. 7 lutadores.
Por muito que se procure contrariar a actual situação que se vive naquela Região, nada justifica que se deva continuar a investir em organizações com elevados custos, como obriga este campeonato. Embora tenham sido introduzidas este ano, ligeiras alterações na sua organização, ainda se mantém incómodas deslocações de cerca de 90 elementos, entre atletas, treinadores, árbitros, delegados, staff de organização, aluguer de viaturas, estadias, alimentação, combustível, portagens, entre outras. A Federação deixou de pagar subsídios a clubes e treinadores, alegando não ter verbas para esse efeito. Desta forma, optou claramente, por beneficiar através deste Evento um restrito número de atletas, em detrimento de uma maioria, que teria maiores probabilidades em garantir um superior número de inscrições e de participações nos Eventos.

Para apoiar o desenvolvimento de uma região, consideramos não ser absolutamente necessário organizar eventos do género do C.N. Um acompanhamento nas devidas alturas e ao longo dos anos, a organização de várias acções como pequenos e médios torneios ou estágios de aperfeiçoamento para atletas e reciclagens para treinadores, parece-nos ser o mais indicado para estas situações enquanto o processo de consolidação não esteja garantido.

Campeonatos Nacionais
Consideramos que a organização de um Campeonato Nacional deve marcar pela sua dignidade, pela motivação, pelo convívio entre os participantes a ser diferente de todos ou outros eventos.
A QUALIDADE FAZ A DIFERENÇA!
Elaborámos um possível exemplo da organização de um evento desta importância:Sexta-feira Chegada das comitivas ao local de acolhimento
22 horas
Sábado Pesagem
08h/8H30 horas
Pequeno-almoço
09h/10 horas
Saída para a competição
10H15 horas
Desfile 10H45 horas
Apresentação das equipas e dos campeões nacionais da anterior época
Início da competição 11 horas
(A competição deve seguir sem paragens, logo deve servir-se apenas uma refeição ligeira e Indicada para eventos desportivos como é também usual noutros países mais desenvolvidos).

Entregas de prémios individuais no decorrer da competição planificado para que se entreguem três categorias de cada vez, com o pódio colocado perto da assistência.

Os vencedores de categoria não devem ser chamados ao pódio porque não tem qualquer significado nem dignidade ser vencedor sem competidor (devem ser os treinadores a fazer a respectiva entrega aos seus atletas).


Final da competição e regresso aos aposentos.

Jantar de confraternização como entrega de prémios especiais a: clubes, treinadores, atletas e árbitros e outros que devem ser criados.


Após o jantar as equipas de Lisboa e Setúbal regressam a casa e as restantes saem no domingo, após o pequeno-almoço.


Tendo em conta o panorama actual da modalidade, acreditamos que os campeonatos nacionais devem ser preferencialmente realizados em Lisboa, por motivos mais que óbvios!

Regulamento Nacional de Graduações
Neste âmbito gostaríamos de lembrar que, embora já se tenha falado várias vezes em épocas transactas da necessidade de se fazerem alterações ao actual sistema, é certo que até ao presente momento nada foi realizado neste sentido.

As propostas de alteração vão neste sentido:
• Reduzir o número das graduações;
• Reajustamento das técnicas em relação às idades dos praticantes, nomeadamente nas idades mais jovens;
• Disciplinar os exames de graduação no sentido de lhes dar mais qualidade dado que, actualmente é possível que os exames sejam feitos por treinadores nos seus clubes, em acções desenvolvidas e organizadas por clubes e associações ou ainda pela Federação.

Estas dispersões de exame de graduações não se justificam por vários motivos:
• Não existe um suficiente número de praticantes;
• A qualidade actual dos praticantes não é significativa.Não podemos permitir que se procure apenas a quantidade, descurando por completo a qualidade!
Na tentativa de introduzir um regulamento copiado do JUDO, não foram por certo tomadas em conta, as enormes diferenças existentes entre esta modalidade e a LUTA! Estas diferenças relacionam-se com a sua estrutura, organização e disciplina diferenciada que obedece a uma Filosofia Oriental. A força do Judo assenta na forma comercializada em que se estruturou, possuindo um staff técnico, a nível das instituições, que praticam a modalidade em maior quantidade, com formação técnica e pedagógica bem diferente. A própria logística tem uma qualidade superior o que permite aos clubes e treinadores cobrarem taxas de mensalidades que tornam as secções auto-suficientes, por isso, tem secções de longa duração. Todos os judocas compram o seu equipamento e todos treinam de igual, o que imprime dignidade e boa imagem num ginásio, onde os atletas mais jovens são normalmente acompanhados pelos seus familiares seja aos treinos, seja aos exames de graduação ou respectivos convívios. No Judo, os escalões de formação não participam em eventos com os outros escalões de competição, os atletas mais jovens participam em convívios com regulamentos simplificados para que todos tenham a possibilidade de terem parceiros, podendo competir. O Judo conseguiu em pouco mais de cinquenta anos, a sua implantação em clubes, associações, escolas e colégios, nas Forças Armadas e nas instituições de Segurança Pública.

A luta existe em Portugal há mais de cem anos!!! Nunca conseguiu evoluir… Porquê? E o que trouxe de novo este regulamento à modalidade?Mais praticantes e melhor qualidade?Sinceramente não verificamos diferenças significativas!


Luta para escalões Infanto-juvenis
Como se sabe, as crianças até determinadas idades gostam de passar por várias experiências de actividades desportivas sem muitas vezes se fixarem em nenhuma delas por muito tempo. Os motivos são vários e julgamos não ser necessário aprofundar muito este assunto. No entanto, a questão fundamental é: “Treinar para participar nos eventos, para quê? Não tenho adversário!”

Por tudo isto, consideramos ser deveras importante para a modalidade conseguir motivar as crianças e os outros jovens a praticarem luta durante um largo período, o mais prolongado possível! Então, o que devemos fazer para contrariar as situações de desmotivação e constantes abandonos? Em primeiro lugar parece-nos fundamental prestar mais atenção aos escalões de formação, implementando as medidas necessárias para avançar com um projecto. Seria importante formar uma equipa técnica que se preocupe apenas com as actividades destes jovens atletas que, não devem em ocasião alguma continuar a participar nos eventos onde participam os restantes escalões, com excepção do dia Olímpico. Devem ser organizados convívios com regulamentos simplificados com várias actividades onde a Luta deverá ser sempre incluída, mas não como actividade principal, apenas como um complemento, uma especificidade, privilegiando-se as actividades vocacionadas para o desenvolvimento geral da criança. Nestas idades, o objectivo não é a especialização dos praticantes mas sim, o desenvolvimento das qualidades básicas através das quais poderá evoluir no futuro. Para além da regulamentação que possa ser elaborada como base para estudo e avaliação, parece-nos conveniente a criação de incentivos para os clubes, treinadores e praticantes. Sem investimento não é possível obter resultados significativos.

Consideramos a Luta infantil a base de sustentação fundamental no desenvolvimento da modalidade. De facto, é através das crianças que se captam novos praticantes e se garante a longo prazo a continuidade da Luta de média e alta competição. Sem que se verifique uma grande quantidade de infantis na Luta, não será possível a detecção de novos valores nem a organização de competições regionais e nacionais de qualidade, ficando assim comprometidas a renovação, a vitalidade e a continuação na Luta. É por isso fundamental que a Luta infantil, a par da alta competição tenha os apoios necessários para que passe a ser uma prioridade máxima, que possibilite à Luta um desenvolvimento real e sólido. A participação de um atleta numa Olimpíada deverá ser sempre uma sequência e um corolário de um programa devidamente planificado num período temporal de 6 a 10 anos de treino efectivo e de uma participação activa em concursos regionais, nacionais e internacionais. Para que seja possível atingir alguns objectivos nestes escalões mais jovens, julgamos ser necessária a seguinte planificação para 10 meses de actividades:
 Quatro convívios nacionais
 Participação no dia Olímpico
 Uma acção de promoção


Exemplo de um programa de promoção:
Sexta-feira
Concentração
• Sábado
Pesagens
Pequeno-almoço
Actividades
Almoço
Actividades
Jantar
Domingo
Passeio cultural
Almoço
Regresso a casa


Estrutura de desenvolvimento da Luta infantil
Primeira fase de ensino (8-12 anos)
Escola regional de LutaMini-luta (M/F)
Recrutamento e dinamização;
Incentivos à prática da modalidade;
Actividades multifacetadas e vocacionadas para o desenvolvimento geral;
2/3 Unidades de treino semanais nos clubes;
Estágios técnicos ao fim-de-semana;
Eventos específicos para as idades;
Participação em 2 eventos no estrangeiro;
Organização de um evento em Portugal, possibilitando uma participação alargada;
Organização de actividades culturais;
Prémios para os elementos com melhores resultados escolares, assiduidade a treinos, estágios e eventos;
Regras e regulamentos (base da pirâmide – fundamental).

Regulamento de Convívios de Competição
Acreditamos ser importante apresentar um resumido exemplo de um regulamento de competição de um convívio para lutadores dos escalões de formação.

Estilo de luta: Livre Olímpica
Género de Competições: por Equipas
As equipas podem ser formadas por: 5/7/9 elementos, cujos pesos devem ser idênticos ou não superior a 3 kg.
Tempo de Combate: 2 minutos
Sistema de Competição: equipa contra equipa, com eliminação à 2.ª derrota.

Regras dos Combates
Pontuação:
o Acções técnicas de pé para o solo valem 2 pontos; se o adversário cair de costas e, 1 ponto se cair de peito;
o Acções técnicas no solo em que as espáduas são colocadas ou viradas para o solo, valem 2 pontos.
Vitória imediata:
o Assentamento das espáduas;o Superioridade técnica, diferença de 6 pontos;
o Colocar o adversário em perigo, durante 15 segundos.
Vitória por tempo:
o Ganha quem no final dos 2 minutos, tiver mais pontos.
Em caso de empate:
o 1 Minuto suplementar;
o O 1º a marcar um ponto, ganha;
o O 1º a sair da área de combate, perde.
Equipamento: Calção desportivo, 2 t-shirts, uma branca e outra escura.
(Nota: Regulamento sujeito a alterações com base no número de inscrições)

Regulamento de Competição Individual
Estilo de Luta: Livre Olímpica;
Género de competição: individual;
Pesos: grupos de peso idêntico ou não superior a 3 kg;
Tempos de combate: 2 minutos para todos;
Sistema de competição: eliminação directa.

Regras dos combates:
Pontuação:
o Acções técnicas de pé para o solo valem 2 pontos se o adversário cair de costas e 1 ponto se cair de peito;
o Acções técnicas no solo em que as espáduas são colocadas ou viradas para o solo, valem 2 pontos.
Vitória imediata:
o Assentamento de espáduas;
o Superioridade técnica, diferença de 6 pontos;
o Colocar o adversário em perigo durante 15 segundos.
Vitória por tempo:
o Ganha quem no final dos 2 minutos tiver mais pontos.
Em caso de empate:
o 1 Minuto suplementar;
o O primeiro a marcar um ponto, ganha;
o O primeiro a sair da área de combate, perde.
Equipamento: Calção desportivo, 2 t-shirts, uma branca e uma escura.

Actividades de Competição
Devemos procurar dar aos calendários de actividades regionais e nacionais mais importância, mais dignidade e mais competitividade.
Uma modalidade que não consegue que nos seus quadros de actividades se verifique um determinado nível competitivo internamente, jamais poderá aspirar a ter grandes resultados em alta competição. Na nossa modesta opinião, entendemos que devem ser feitos dois ajustamentos técnicos aos actuais regulamentos: a substituição de alguns torneios por campeonatos, tentando assim motivar mais os treinadores e os praticantes atribuindo maior ênfase a estes eventos. É mais do que necessário implementar uma nova filosofia na modalidade.


Exemplo de calendário federativo:
Campeonato Nacional de equipas – permitir formar equipas com lutadores de 2 clubes a exemplo do que se faz noutros países que apresentam melhores estruturas.
I Primeira volta no estilo de Greco-romana
I Segunda volta no estilo Livre Olímpica
I A disputar em dois dias sem ser em paralelo com outro evento, dada a importância que este Campeonato merece ter.

Taça de Portugal – o mesmo tipo de formação de equipas, onde no estilo de Greco-romana seria feita eliminação à primeira derrota. Deveria ser realizado nas instalações dos clubes, num sistema de alternâncias anual pelas associações.

Torneio Dia Olímpico – com a participação de todos os escalões excepcionalmente. (Convidar equipas espanholas)

Torneio da FPLA – Devem ser convidadas equipas espanholas para que o evento se torne mais motivante e competitivo (sem a participação dos escalões de formação).

Estágios nacionais – a convocatória deve ser feita a nível nacional e devem ser efectuados em períodos de férias. Devem ser perspectivados também, estágios técnicos para os escalões de formação.

Campeonatos Nacionais Individuais - Nos estilos Greco-romana, Luta livre e Luta feminina, criação de escalões suplementares de forma a permitir que os indivíduos no ultimo ano de um escalão possam combater com atletas do escalão superior de forma a minimizar o choque da transição.

Estes escalões suplementares seriam:
 Masculinos
 Sub-16 (13, 14 e 15 anos)
 Sub-19 (16, 17 e 18 anos)
 Absolutos (mais de 19)
 Femininos
 Sub-17 (13, 14, 15 e 16 anos)
 Sub-23 (17 aos 22 anos)
sentido, voltamos de novo ao assunto diversas vezes focado mas que entendem não ser pertinente: Como pode um treinador incentivar a assiduidade dos atletas, se a motivação destes vai diminuindo à medida que verificam que não têm com quem medir as suas qualidades/capacidades. Não será difícil verificar que muitas modalidades apoiam incondicionalmente os seus escalões de formação como forma a elevar o nível de desempenho dos seus atletas.

Este tipo de apoio e incentivo:
I Permite uma alternância de valores, uma motivação e uma forma de evolução através dos graus de dificuldades competitivas que podem e devem obrigatoriamente de enfrentar se querem progredir;
I Pode minimizar em parte o problema de lutadores sem competidor, na medida em que os atletas podem competir em grupos diferentes;
I Aumenta, eventualmente, o interesse de lutadores e treinadores pela conquista de mais títulos;
I Pode conduzir a uma maior assiduidade e empenho nos treinos caso os lutadores saibam que podem ter adversários nas competições;
I Valoriza e dignifica as competições;
I Pode evitar que alguns atletas estejam tardes inteiras dentro de um pavilhão sem qualquer actividade.

Para a resolução deste problema relacionado com a falta de adversários em competição, poderão ser apresentadas duas soluções:
Retirar torneios dos calendários e substituir por campeonatos de Sub;
Aplicar estes escalões nos vários torneios.
Para além destes escalões suplementares continuam a manter-se os escalões regulamentados (Masculinos e Femininos).
Formação (mais qualidade)
Não basta a frequência de um curso e a entrega de um diploma para se afirmar que temos um Treinador!

No passado, foram realizados inúmeros estágios de aperfeiçoamento para lutadores e, em paralelo, reciclagens para treinadores com uma duração significativa (vários dias), ministrados por técnicos estrangeiros e portugueses. Este tipo de acções marcou, não só pela sua qualidade, mas também pela evolução que se verificava nos treinadores e consequentemente nos treinos. A Luta ganhou qualidade com estes estágios! Entretanto, e por opinião de vários especialistas, nunca mais se realizaram outras acções idênticas, embora tenham existido sempre condições para serem organizadas.

Neste sentido, é necessário que para além dos cursos de árbitros e treinadores sejam efectivadas uma ou duas reciclagens anuais para ambas as valências. O desenvolvimento da modalidade passa também por um acompanhamento técnico e pedagógico, não só para os indivíduos com vários anos de exercício, mas garantir também aos indivíduos que se iniciam na modalidade mais informações para que o seu trabalho seja mais objectivo e eficaz e se reflicta na qualidade dos seus atletas. As datas preferenciais, na nossa opinião, para estas reciclagens são: Janeiro (por ser inicio da época) e Setembro/Outubro (no reactivar da época). A Federação faz formação desde 1976, formando algumas dezenas de indivíduos, no entanto, quem tem mantido as actividades da modalidade são antigos praticantes! Dos novos praticantes e dos indivíduos que se formaram sem terem sido atletas, não se ouve falar! Porquê?

Formação dos Lutadores
Para além das unidades de treino em que os lutadores possam participar, as competições são também uma das principais actividades com enorme influência na preparação dos praticantes, as quais permitem que estes obtenham elevadas performances. É através da competição que os lutadores, desde os mais jovens até aos de alta competição, adquirem a experiência, a rotina, o aperfeiçoamento técnico e descobrem as vertentes técnico-tácticas que devem aplicar em cada combate. No entanto, isto só pode acontecer se a preparação de um lutador assentar num suficiente número de unidades de treino, num razoável número de participações em competições e num número aceitável de combates com diferentes adversários (com mais ou menos nível competitivo). Competir sem treinar não resulta! Treinar sem competir também não!

O actual quadro participativo e competitivo está muito aquém do mínimo desejável, pelo que se torna necessário encontrar alternativas que possam aumentar a participação mas também o nível técnico e competitivo da nossa Luta. Tentámos assim apresentar, algumas propostas que julgamos serem viáveis para a situação actual da Luta em Portugal, que ao longo de vários anos tem vindo a deteriorar-se, como podemos ver nos números que apresentamos de seguida, que nos dão uma imagem de caminharmos no sentido da extinção da modalidade em Portugal.

O número de atletas participantes em competições foi o seguinte:
 Em 1996 - 393
 Em 2005 - 203
 Em 2006 - 178*
* Participação de todos os escalões etários em ambos os sexos (11)

Palavras para que???!!!
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